quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Romaria a uma empresa de sucesso

O que é preciso em Portugal para criar uma empresa? Será igual na Dinamarca?
Portugal e Dinamarca, ambos pertencentes à União Europeia, mas com rendimentos per capita completamente distintos, são dois países interessantes para utilizar como termo de comparação quando pensamos em criar uma empresa. 

Porquê?
De acordo com o site Doing Business, podemos constatar que, em termos burocráticos, tanto Portugal como a Dinamarca são, neste momento, países onde a criação de uma empresa não requer muito tempo disponibilizado pelos potenciais criadores da empresa.
Neste site, Portugal encontra-se em 32º lugar em relação à criação de uma empresa e a Dinamarca está em 40º. Como se pode ver, não há muitas diferenças no ranking. 

Então qual é a diferença?
A maior diferença que podemos retirar destes dois países é a facilidade para fazer negócios. Portugal está em 31º e a Dinamarca em 5º. Estes valores do ranking levam-nos a ter em conta todos os rendimentos per capita. Sendo o rendimento per capita em Portugal um dos mais baixos da União Europeia, torna-se mais difícil ter capital disponível necessário para poder realizar bons negócios.


Cláudia Gamito, proprietária da loja de animais Pink Paws, em Sintra, desde 2008, quando questionada acerca das dificuldades que teve em criar a empresa não pensou duas vezes. A primeira coisa que respondeu foi “tive muitas dificuldades em encontrar informação para poder abrir a empresa”.
Claro que, logo após essa resposta veio o problema financeiro. Cláudia, com apenas 23 anos, na altura, queixou-se de que não foi fácil arranjar os 5000euros, visto que não trabalhava e só tinha umas poupanças de aniversários e ocasiões festivas. “Os meus pais tiveram de ser os meus financiadores. Precisei do dinheiro para a abertura e mais dinheiro, ainda, para poder encomendar produtos aos fornecedores”, disse Cláudia com um tom entusiasmante depois de ter dito que as vendas da empresa estavam a correr “maravilhosamente bem”.

 Portugal                                                                   Dinamarca

                                  
Embora a nível do tempo despendido para a criação da empresa não haja uma diferença relevante entre Portugal e Dinamarca, é possível ver que a nível de custos há uma diferença significativa.
Tendo em conta as duas tabelas anteriores, alusivas à visão geral de cada país em questão, é fácil concluir que, se um rendimento nacional bruto de um país é o dobro do outro país, as condições para os supostos criadores da empresa não serão as mesmas.
De acordo com os dados revelados nesta investigação, será muito mais fácil na Dinamarca suportar os custos iniciais de abertura de uma empresa assim como ter capital disponível para que a empresa possa realizar bons negócios.

Maria (nome falso), há 9 anos à frente da empresa VinPort, na Dinamarca, fala-nos das facilidades que teve em criar a sua própria empresa num país estrangeiro. Questionada da mesma maneira que Cláudia Gamito, a resposta foi muito diferente. Em tom de riso, Maria, respondeu: “Dificuldades? Só mesmo em arranjar as malas para viajar… A criação da empresa não teve qualquer tipo de complicações. Bastou-nos ir a um estabelecimento de finanças mais próximo e registar. Só necessitámos, pois, de levar os nossos documentos pessoais de identificação. Fiquei na realidade, chocada porque estava habituada às burocracias portuguesas.”

Requisitos para a criação de uma empresa


  














É preciso ter noção que, nesta investigação, não estão incluídos os impostos que têm de ser suportados, anualmente pelas empresas. Impostos esses que variam consoante o regime fiscal de cada país. Temos como exemplos principais o IVA, o IRC, a Segurança Social e o IRS.
Quando se pensa em criar uma empresa, existem múltiplos factores que devem ser tidos em conta, pois todos os pormenores podem ditar o êxito de uma empresa. A questão financeira, ao contrário do que se pensa, nem sempre é o mais complicado nem o mais importante. A ideia, o local e a publicidade são factores essenciais para o sucesso da iniciativa.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Lisbon Story e os media

"Caro Phil, eu não posso continuar m.o.s. - SOS - Vem a Lisboa, com todas as tuas coisas, a.s.a.p. Grande abraço, Fritz!". , assim se inicia o filme “Lisbon Story”, realizado por Wim Wenders, em 1994. Neste trabalho, Wim Wenders mostra Lisboa com uma perspetiva mais moderna e, por outro lado, uma Lisboa com recurso a aparelhos mais tradicionais.


A história trata a ligação entre um realizador, Friedrich Monroe, que perdeu a crença na sua máquina de trabalho, a câmara, de traduzir a verdade e  um engenheiro de som, Phillip Winter, que, pelo contrário, apenas acredita nas imagens e nos sons.
Inicialmente, é o som característico de Lisboa que prevalece sobre a experiência visual. Mas os “Madredeus”, banda sonora portuguesa, são,  também, quem integra o elenco do filme. 
Com esta descrição acerca do filme, verificamos que o realizador pretendia transportar-nos para um mundo de comunicações, onde entram desde sons simples feitos apenas com objetos diários, até materiais mais avançados.

A comunicação já existe há vários séculos, mas apenas no século XX se começou a dar mais importância aos meios pelos quais esta se transmitia.

O rádio por volta dos anos 50, tornou-se quase um objeto indispensável nas casas, começando a ser utilizado também nos automóveis. A partir dos anos 70 foi a televisão que se começou a massificar e propagar, sendo que em finais deste século já era bastante comum na maior parte dos lares a televisão a cores.
O cinema conheceu a sua ascensão após a Primeira Guerra Mundial, tornando-se uma poderosa arma para a formação de opiniões, de formas de conduta e de vida, sempre com a atração da diversão.
Paralelamente, davam-se avanços na investigação da eletrónica e da informática. Foi também nesta época que apareceu a figura do DJ (disco jockey), que orientava os programas e os selecionava pessoalmente. Em 1969 apareceu a Internet, então chamada Arpanet, que criou uma rede de partilha de informação entre quatro universidades norte-americanas.
 
Nos últimos vinte anos, temos assistido a grandes alterações e avanços nos meios de comunicação.

Todavia, esta evolução e este processo de massificação e de globalização dos meios de comunicação gerou muitos problemas, que põem em risco os direitos e a liberdade dos cidadãos, pois este sistema de comunicação suprime a privacidade e reduz o espaço e o tempo de convivência entre as pessoas, assim como, ao mesmo tempo que promove o contacto com maiores diversidades, altera também algumas opiniões.
Da economia à moral, da publicidade à política, da religião à ciência, todas as manifestações humanas se tornam produtos em circulação nessa imensa teia de televisões, satélites, rádios, computadores, telefones,etc.

Por exemplo, as crianças são uma faixa etária muito afetada pelos meios de comunicação, pois acreditam em tudo o que vêm e tendem a imitar isso mesmo. A televisão é um bom exemplo de como transmitir negativamente e progressivamente algo que não tem qualquer parecença com a realidade. A violência hoje em dia é transmitida no ecrã como uma coisa normal e ás vezes até positiva, tanto em filmes violentos como em desenhos animados. As crianças, sendo espectadores assíduos da televisão e, consequentemente, da violência que esta emite, vulgarmente imitam, em brincadeiras violentas com os amigos, o que a televisão lhes transmite.

Mas nem tudo é mau, o recurso à televisão pode favorecer a ampliação do vocabulário, inclusive em línguas estrangeiras, mesmo em crianças que não leem. Esta permite igualmente conhecer outras realidades, outras culturas, outros países diferentes do nosso.
Os media são uma óptima fonte de aprendizagem diversificada. O único problema é que devem ser controlados pois, ver televisão ou navegar na Internet não é negativo, desde que seja feito de maneira consciente.  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"The outsider"



O autor do grande perfil “Frank Sinatra has a cold”, é assim que Gay Talese é recordado. Sempre à procura de “unreportable stories”, estas levaram-no a ter vários confrontos com as editoras. E, é a sua ousadia com o seu elegante e formal estilo que fazem de Talese um dos principais fundadores do New Journalism.


De jaqueta e gravata, era assim que Talese entrava todos os dias na sala de aula. Sentindo-se sempre como o ‘mais velho’ e um estrangeiro no seu próprio país natal, Gay começou a interessar-se pela escrita – a escrita literária.
Sempre consciente da sua infância, relacionada com a emigração dos seus pais e com a maneira pouco ortodoxa como cresceu no meio da sociedade Americana, Talese ia crescendo mentalmente de forma contrária à dos outros escritores. Frustrações e ambições são o que mais caracterizam este homem que iria tornar-se, não intencionalmente, um mestre do jornalismo.
Aos 15 anos, Talese começou por fazer parte do atletismo, podendo usar as suas habilidades de busca nas suas “unreportable stories”. Mas, rapidamente, passou de um escritor de desporto para um lugar mais ampliado da visão de repórter e colunista. Estava então a aproximar-se daquilo que viria a ser o seu forte.
Pelo meio de um número infindável de livros e artigos, Talese decidiu voltar aos seus súbditos. Foi o local onde ele – a minoria das minorias – conseguia mais recordações, o que o levou a seguir o caminho da não-ficção.

Talese procura histórias reais, não procurava os vencedores, a fama e o sucesso tal como os outros jornalistas banais. Nunca quis ser reconhecido como o autor das reportagens ou notícias e por essa razão foi, ao longo do seu grande percurso de vida, enfrentando problemas com os editores dos jornais por onde passava. Resistindo à postura de herói, o fumante de charutos, Talese, continuou a escrever sobre os vencidos, os despercebidos, sobre as “histórias com nomes verdadeiros”, como só ele as intitulava.
Oriundo de New Jersey, o meticuloso repórter considera os anos de faculdade os melhores anos da sua vida. Formado em Alabama – por não ter sido aceite em mais nenhuma faculdade – trabalhava em Nova Yorque, no The Time. Com a chamada para o recrutamento no exército, Talese não teve opção de escolha. Conseguindo sempre manter-se vivo no jornalismo e em contacto com o jornal, onde trabalhava, durante o serviço militar.


Quando acabou a recruta, foi novamente recebido no The Time. Trabalhou lá como repórter na área do desporto. Talese diz que nunca se interessou em desporto, bem como em jornalismo tradicional.
Como não arranjou alternativa e como era de seu hábito, procurou, dentro do desporto, o que mais ninguém procurava, o carácter humano que, segundo ele, era algo que estava por detrás da fachada de um jogo. Mais uma vez está presente uma das características que mais embeleza o Gay Talese, o inverso do jornalismo padrão.
Do desporto passou para a política onde encontrou dificuldades em escrever o que realmente gostava. Ali, havia padrões a seguir e Talese, que não era um seguidor de padrões, queria continuar a desenvolver o seu próprio estilo – uma escrita com ritmo, nitidez e com uma precisão fora de comum.

Gay Talese, um miúdo frustrado e um ocasional repórter, sem nunca ter tido gosto pela escrita, dizia: “honesty has never been my strong suit”.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Totalmente Gonzo

Considerado o criador e principal representante do “Gonzo Journalism”, Hunter S. Thompson tinha como principal característica a sua irreverência, tanto na escrita como no seu dia-a-dia. O jornalismo praticado por ele assegurava um envolvimento por parte do repórter , que abandona qualquer pretensão de objectividade e se mistura profundamente com a acção.


Apresentando sempre o mesmo par de óculos escuros, camisa com padrões e cigarros Dunhill com uma boquilha na boca, em todos os lugares que estivesse era assim que este criava a sua  persona, uma aparência que o permitia interagir e mostrar-se à sociedade com mais facilidade.

A sua rotina diária era, para a maioria das pessoas, ao contrário. O seu dia começava as 15h05  com um Chivas Regal, vários jornais diários, enquanto fumava um dos seus cigarros, Dunhill. Às 16h15 tocava pela primeira vez do seu dia em cocaína e, a partir desta hora, o cérebro de Thompson começava a trabalhar. O seu almoço era feito, diariamente, por voltas das 19h05 e sempre no mesmo local, Woody Creek Tavern. Tal como todos os hábitos que Thompson tinha, o almoço também era sempre o mesmo, uma cerveja Heineken, duas margaritas, dois cheeseburgers, duas doses de batatas fritas, um prato com tomate, uma salada de repolho, uma salada de tacos, uma dose dupla de cebola frita, um bolo de cenoura, um gelado, um bolinho de feijão, Dunhill, outra cerveja, cocaína e um cone de neve.

Depois de duas horas em Woody Creek Tavern, Thompson voltava para sua casa por volta das 21h00 e começa a cheirar cocaína em grandes quantidades. Alternando entre erva, cocaína, Dunhill, Chartreuse, Chivas Regal, café, Heineken, sumo de laranja, gin e filmes pornográficos, Hunter S. Thompson começava a escrever à meia-notite e terminava na madrugada seguinte às 06h00 da manhã.

Depois de uma noite inteira a escrever, Thompson tomava o seu banho, sempre com produtos Dove, acompanhado de um copo de champanhe e as 08h00 ia finalmente dormir.

I hate to advocate drugs, alcohol, violence, or insanity to anyone, but they've always worked for me ( Eu odeio defender drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, elas sempre funcionaram comigo). O facto de Hunter viver tão intensamente, mesmo com uma insanidade admitida, faz dele um dos maiores escritores de sempre.

A sua obra Fear and loathing in Las Vegas foi uma das mais conhecidas e que rapidamente se transformou num filme, contando com a participação de Johnny Depp, este que mais tarde se tornaria um grande amigo do escritor e que, até partilharia com este um quarto, adquirindo hábitos semelhantes e vivendo uma vida “totalmente gonzo”.

Tendo sido desde sempre um adolescente problemático, Hunter S. Thompson vivia uma vida despreocupada, perigosa, mas mais importante que tudo divertida, onde tudo para ele era uma emoção descontrolada.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O segredo de uma varredora de rua

8, 16, 18, 37, 43, 2 e 6 foram estes os números que mudaram a vida de Daniela Martins. Sempre com a esperança que a sorte lhe bateria à porta, esta simples varredora de ruas, todas as semanas apostava no euromilhões. Foi no dia 26 de Março de 2010 que a insistente jogadora percebeu que a sua vida poderia, finalmente, levar outro rumo.
 
‘Nelinha’, como é conhecida entre amigos e familiares, sempre foi muito senhora do seu nariz. Vive, hoje, em Valado dos Frades, no concelho da Nazaré com o seu marido, dois filhos menores e um neto, deixado a seu cargo pela filha mais velha.
Seis dias por semana, por volta das sete da manhã, levanta-se, trata dos seus filhos e leva-os para a escola, sempre acompanhada pela harmonia criada nas gargalhadas do seu neto, com apenas um ano de idade. Chega então, por volta das sete e meia ao trabalho onde começa por ter uma “pequena coscuvilhice”, como gosta de chamar à primeira conversa da manhã, com as suas colegas de trabalho. 
 
O DIA EXACTO
Foram 73,355,575 euros que mudaram várias mentalidades. Desde que começou o sorteio do euromilhões, Daniela Pedro Martins, seu nome de nascimento, lança os seus números da sorte, todas as quartas-feiras, para mais uma tentativa de mudar a sua vida. Para além de jogar sozinha, também joga em sociedade com mais 8 pessoas e foi nessa sociedade que ‘Nelinha’ viu o nascer de um novo rumo.
26 de Março de 2010 foi o dia do sorteio e é o dia em que compara a felicidade do seu casamento e do nascimento dos seus filhos. Todo o tempo que esperou pelo dinheiro ganho no sorteio, foi fazendo investimentos adiantados recorrendo ao seu pé-de-meia, que havia sido amealhado para um dia em que tivesse algum problema. Neste caso, não encara como um problema, obviamente, mas sim como “uma oportunidade de Deus”. Aproveitou o dinheiro para arranjar a sua casa, para comprar terrenos e diz, ainda, conseguir guardar dinheiro para alguma eventualidade futura porque “nunca podemos prever o dia de amanhã”.  
 
HORTAS, LIXO E CALÇADA
Daniela Martins, nascida em França e criada em São Martinho do Porto, no concelho de Alcobaça, viveu com a avó paterna a partir dos dois anos de idade. Altura essa em que foi abandonada pelos pais.
Deixando a escola para trás, começou a trabalhar desde cedo. Aos seus 14 anos ajudava a sua avó na horta e recebia dinheiro quando vendiam os produtos na praça. ‘Nelinha’, também adorava de ir ver as obras com o seu avô e foi num desses dias, em que o acompanhava, que conheceu Carlos Martins, actualmente, o seu marido. Tinha 17 anos e ele 20 quando se casaram. Desse casamento saíram três filhos, o Marcelo com 16 anos, Evandro com 10 e, virando o olhar para o horizonte, Sandra, com 23 anos de idade.
Hoje, vive com o marido, com os dois filhos e com um neto confiado pela filha, chamado Martim.
Apenas com a 4ª classe, aos 17 anos, já casada dedicou-se à profissão de varredora de rua, ao mesmo tempo que tirava um curso de calceteira. Exerce hoje a profissão de varredora de ruas a tempo inteiro e de calceteira apenas quando é chamada, visto que, segundo as palavras de Nelinha, “não é uma coisa que me chamem muito”.
Para além de tratar de uma casa, de um “marido desajeitado” e ter a seu cargo três vidas menores, ainda tem tempo para cuidar da horta que foi criando ao longo dos tempos, mas esta, só para consumo próprio. Diz ter uma vida muito ocupada mas sente-se uma pessoa realizada. 

EDUCAÇÃO, ORGULHO
Sempre presente na sua cabeça a vida não muito fácil que teve, diz conseguir, ao longo deste anos, dar uma boa educação aos filhos. O Marcelo, hoje com 16 anos, trabalha na apanha da fruta, perto de sua casa, e estuda ao mesmo tempo.
Sem nunca ter contado aos filhos o dinheiro que ganhou, acha importante que o seu filho mais velho saiba o que é a vida e diz “enquanto continuar a ter boas notas nos pontos e conseguir equilibrar bem com o trabalho, eu não digo nada”. Todo o dinheiro que Marcelo ganha no seu trabalho divide a meias com os pais que, em vez de o gastarem, depositam-no numa conta no banco. Marcelo já vê o seu futuro, quer ser médico e levar a família para uma casa maior e, com o dinheiro que os seus pais fazem questão de guardar, o rapaz de 16 anos já pode ir estudar para outro lado, visto que ali perto não há universidades.
 
“Adoro viver a vida sem ter de pensar todos os dias no futuro dos meus dois filhos e do meu neto”, afirma Daniela Pedro Martins.


"Portugal no Caldeirão"

Foi-nos pedido na cadeira de Redacção Jornalística uma maneira original de explicar a situação política em Portugal. A nossa ideia, foi a de criar um vídeo com uma história conhecida por todos, "A Branca de Neve e os Sete Anões" e com as imagens originais do filme de animação explicámos uma situação da tomada de medidas do Governo e de uma "revolução" de manifestantes quanto a estas. 



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Todos os homens do presidente" - Jornalismo de Investigação

O filme "Todos os homens do presidente" trata do caso Watergate, ocorrido em Washington, em 1972. Este escândalo começa com um mero assalto ao edifício Watergate por cinco aparentes ladrões, mas ao longo do tempo tornou-se num caso de espionagem política, que levou o presidente republicano Richard Nixon a ser forçado a sair do cargo.


Os jornalistas Robert Woodward (Bob) e Carl Bernstein, repórteres investigadores do Washington Post, que trataram deste caso, apresentam-se ao longo do filme com inúmeras diferenças. Bob, é quem faz as primeiras ligações telefónicas do caso, pois trata-se de um repórter inexperiente, mas com idealismos, muito pragmático e metódico, pois primava pelos fatos e sabia que apenas com eles é que os seus textos teriam autoridade, dizendo numa altura do filme para Carl "Não fale em sorte, fale em fatos ou cale-se.”. Por outro lado, Carl é alguém bastante experiente, prudente e com características paternais; ao longo do filme mostra-se uma pessoa desorganizada e despreocupada com a aparência física. Carl é democrata, ao contrário de Bob que é republicano e enquanto parceiro era cauteloso e sistemático, ao contrário de Carl que era a energia da dupla.

A investigação começa por ser bastante independente, apenas sendo estabelecidas ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício Watergate, pelos dois repórteres. Depois, passa a ser apoiada e orientada pelos editores Barry Sussman, Harry Rosenfeld e Howard Simons e pelo editor executivo Ben Bradlee, que passam a trabalhar em conjunto com Bob e Carl, tendo reunido as informações de inúmeros funcionários da Administração, de colaboradores de campanha, de pessoal da Casa Branca e de outras fontes. No geral, a investigação foi feita sempre com base em fontes que pensavam estar ligadas ao caso, entrando em contacto com estas por meio telefónico, maioritariamente.

A mais conhecida das fontes, a qual revelou que o presidente Richard Nixon tinha conhecimento das operações ilegais, foi alguém conhecido pelo nome “Deep Throat” (Garganta Funda), que mais tarde veio a saber tratar-se do ex-vice-presidente do FBI, W. Mark Felt.

Ao longo da investigação os dois repórteres deparam-se com difíceis obstáculos, sendo o que se destaca, as fontes, que se recusam a falar ou que desmentem coisas, como, por exemplo, a funcionária que trabalha na biblioteca da Casa Branca que, questionada por Bernstein acerca de uns livros requisitados por Howard Hunt sobre o Senador Kennedy, diz que se lembra perfeitamente de este ter levado “uma grande quantidade de material”, mas após um minuto, pedido por ela, de espera, enquanto confirmava essa informação, volta à chamada com um desmentido completo do que tinha dito anteriormente, afirmando não ter nenhuma ficha que prove que este adquiriu algum livro e que não se lembra de nenhuma pessoa com esse nome. O facto de haver um etnocentrismo, bastante visível, também se torna um obstáculo na investigação, pois durante as primeiras chamadas que efetua, Woodward fala com Paul Herrera, que poderia ser alguém importante para o caso, mas o facto de este falar espanhol torna a língua uma barreira, sendo que, a chamada é desligada por falta de comunicação.

Dito isto, as dúvidas pessoais, bem como os desmentidos e as pressões externas sobre algumas das fontes, levam a que a investigação se torne mais complicada de resolver, pois os obstáculos vão ser muitos mais.

Este caso, no final, desvendou-se como uma ação de espionagem política por parte da Casa Branca e a investigação tornou-se numa das maiores investigações jornalísticas de sempre, pois fez com que, pela primeira vez, um presidente se demitisse do seu cargo.

Hoje em dia, uma investigação jornalística é feita com muito mais meios do que os que haviam na altura, mas o jornalismo que é demonstrado no filme é de certo modo raro nos nossos dias, pois nos nossos dias, as notícias quase que vêm ter com os jornalistas através de press-releases e agências de notícias, ao contrário do que aconteceu com Robert Woodward e Carl Bernstein, que foram atrás de uma notícia que ninguém via como potencial para uma investigação de grande dimensão. Outra diferença é que, atualmente, as fontes quando contactadas já se sabe o que esperar delas, não sendo um contacto arbitrário e sendo, por isso, mais confortável, hoje em dia, contactar fontes oficiais, institucionais, por exemplo, pois são mais seguras e já sabemos o que esperar delas.

Dito isto, as fontes que seriam contactadas hoje em dia eram fontes que se tivesse uma certa certeza que tivessem respostas para a ajuda na investigação. A fonte “Garganta Funda” nos dias de hoje, seria alguém a quem não se daria grande crédito, pois apesar do código deontológico dos jornalistas dizer que “o jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação” e, por isso mesmo, se utilizada não seria denunciada, esta era uma fonte na qual se depositava uma grande confiança nas informações que fornecia. No filme nota-se que este é um trabalho muito à base de investigação de “mesa” e de fontes, mas estas são quase sempre contactadas por telefone e poucas vezes cara-a-cara, o que hoje em dia seria impensável, dado que deve haver um grande trabalho de terreno.

Por último, o facto de agora termos um acesso bastante privilegiado tendo em conta as novas tecnologias, temos também um acesso mãos facilitado a informações que vão ser necessárias para as investigações que pretendemos fazer, coisa que não existia naquela altura.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A política não remunerada de Catarina Alves


Futura herdeira de uma casa de chá em Caneças e filha de pai arquiteto, Catarina Alves ou “Cata” para os mais próximos, é neste momento a nova Presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa pela Juventude Popular. Esta jovem articula, estimula e desenvolve tudo quanto é atividade política direcionada à juventude no distrito de Lisboa, no CDS. É graças a Catarina que as estruturas estão a crescer em número e em qualidade de militantes.
Com 26 anos, orgulhosa do seu trabalho e já conquistada pelo mundo político, a “menina dos papás” não tem qualquer problema em dizer que ambicionava ter um cargo na Assembleia da República ou mesmo um cargo no Governo.
E, é no cair da noite, na “casa do Largo”, que Catarina reflete sobre as decisões que tem de tomar seja no trabalho remunerado ou sobre qualquer um dos seus ideais políticos.

Quem é a Catarina Alves?

Nome  completo: Catarina Maria Fernando Alves
Data de nascimento: 8 de Outubro de 1987
Desejo: crescer de acordo com o meu mérito
Vício: trabalho, no sentido de ser insaciável, querer sempre mais e melhor. Acho que as coisas nunca estão suficientemente boas.
Segredo: nunca tomo nenhuma decisão sem falar primeiro com os meus pais
Fã de... Paulo Portas
Viagem: Auschwitz porque acho importante conhecer aquela realidade muito pelo ideal político negativo, claro. Penso que todos devíamos de lá ir.
Jantar com… Margaret Thatcher

O começo de uma grande ambição

Como iniciou a sua vida política?

C.A.: Tinha 17 anos quando me filiei na Juventude Popular e só passados 2 anos é que me filiei no CDS. Este percurso está ligado com aquilo que é o meu historial de família. Os meus pais nunca foram filiados, pelo menos até eu entrar para a Juventude Popular, mas sempre se falou muito de política lá em casa. Era um tema recorrente, tanto comigo como com o meu irmão, as coisas eram muito partilhadas e isso foi-me influenciando bastante, até que cheguei aos 17 anos e comecei a achar que devia de participar nas coisas de outra forma. O método para o fazer foi filiar-me numa juventude partidária. Na altura, só me identificava com a Juventude Social Democrata ou com a juventude popular mas achei que a Juventude Popular tinha umas ideias mais vincadas e tinha alguns fatores que distanciavam da JSD.

Com 17 anos, o que é que a fez entrar para a política?

C.A.: Tudo começou pelos princípios que me foram incutidos. Sem dúvida que a culpa é dos meus pais. Depois, fui criando ideais na minha cabeça que achei que deviam de ser partilhados e ouvidos e isso levou-me a procurar caminhos para me poder exprimir. Como a política sempre foi um assunto presente na minha vida, eu quis ultrapassar a barreira de ser apenas uma conversa de família.

Política foi sempre um tema recorrente. Achava, realmente, que ia chegar onde chegou?

C.A.: Eu sempre quis ser arquiteta e foi por mero acaso que, no mesmo ano, entrei para a política. Se há alguns anos me dissessem que ia ter alguma ligação política eu não acreditava porque nem era algo que eu idealizava, mas a verdade é que comecei mesmo a gostar e fui conciliando tudo. Como consegui conciliar tudo, quando acabei a minha licenciatura tirei uma pós graduação em comunicação e marketing político no ISCSP. O bichinho foi sempre ficando.

A luta pelos seus ideais

A arquitetura não está muito ligada à política. Na altura já sentia que o país precisava de uma nova perspetiva e, até, de uma reconstrução?

C.A.: Na altura não me imaginava ainda a reconstruir nada. Os políticos e também juventudes partidárias sempre foram um bocadinho mal vistas. São vistas como escolas de pequeno crime, escolas de cacique. Mas eu acho que em todo lado há pessoas boas e más. O nosso sistema político está feito de forma que só se consegue participar através de um partido político e esse foi o meu método para participar e ter abertura para ter contacto com outros temas que na altura não estava tão familiarizada. Mas hoje em dia sim, já penso, com toda a certeza, em tentar fazer algo diferente quando estiver num cargo mais elevado e com mais responsabilidade.

Até onde é que quer chegar?

C.A.: Eu não escondo, eu gostava de ter uma experiência na assembleia da república ou uma experiencia a nível do governo porque acho que é aí que nós podemos mudar as coisas. Eu, no último mandato autárquico, tive a possibilidade de fazer parte da junta de freguesia de uma assembleia municipal. E é numa junta de freguesia, neste caso, de Casal de Cambra, que nós sentimos que as nossas decisões têm impacto no dia a dia das pessoas, coisas tão simples como arranjar um buraco ou por uma passadeira num cruzamento. São coisas que, na altura, conseguimos ter a perceção do efeito e do impacto das nossas decisões políticas. O que é ótimo. E penso que foi importante começar por aí, para eu ter noção de algo que não tinha até então. Mas sim gostava muito de ter um papel mais importante.

Jovens na política

E os jovens Catarina? Eles entram tão facilmente como desistem?

C.A.: Há dois tipos de jovens. Há os que chegam pelo grupo de amigos e que nem sabem ao que vão, que só pensam em facilitismos, conhecimentos e, esses, acabam sempre por se afastar porque vêem que não é tão fácil assim como eles esperavam. Estão filiados na jp como poderiam estar na js. Depois temos os jovens que vão sozinhos por convicção e que não conhecem ninguém. A esses eu dou muito valor.
 
A Catarina faz parte desse segundo grupo?

C.A.: Sim, eu vejo isto como um processo. Tenho as minhas ambições e quero continuar a levá-las avante. Fico contente por me ter filiado naquele momento e por agora poder dizer que continuo contente com as escolhas que fui tomando. Não me arrependo das decisões porque sei que na altura, que as tomei, não fui contra nenhum princípio meu.

Sendo tão jovem na política, qual é a pergunta que mais lhe fazem?

C.A.: ‘O que é que recebes com isso?‘, é a pergunta que mais me fazem, sem dúvida. As pessoas continuam a não perceber o porquê de eu estar aqui durante estes anos todos e nunca ter recebido nada, em termos de dinheiro. Eu acho que já recebi muito. Conheço praticamente o meu país todo graças às campanhas, por causa de ações que nós fazemos e eu acho que isso é de extrema importância. Claro que todos temos contas para pagar mas por isso é que eu continuei sempre com a arquitetura e assim posso fazer tudo para conquistar a minha independência, quero chegar a um ponto em que, se achar que algo está mau e que os meus ideais já não ajudam em nada, poder sair a qualquer momento.

Como ficou a arquitetura?

C.A.: O curso correu bem. Consegui conciliar tudo e tive boas notas. No ano em que estava a acabar a tese de mestrado foi o ano em que comecei a dar aulas de expressão plástica e acabei por desenvolver a arquitetura desde sempre, ficando, até hoje, a trabalhar com o meu pai. Consigo conciliar as duas coisas, o que acho fantástico. Vejo a política como um escape porque a arquitectura é o que sempre estive habituada e foi aquilo que sempre ambicionei fazer.

“O arrumar da casa”

Tendo o Paulo Portas como referência, como é que viu a falsa saída do seu líder partidário?

C.A.: Eu acho que o Paulo Portas teve de dar um murro na mesa para ser ouvido porque acho que quando nós estamos em coligação é complicado e penso que não era uma falsa saída. Acho que não estamos em altura de fazer birras. Ele saía porque as decisões que estão a ser tomadas, no fundo, são decisões difíceis e que dizem respeito a todos nós. Aquilo foi uma forma do CDS ser ouvido. E se ele saísse as coisas ficavam muito mal porque a visão que isso ia dar para o exterior era terrível porque, sinceramente, penso que, mesmo assim, Portugal tem conseguido manter a credibilidade externa. E quando isso se perde é muitíssimo complicado. Nenhum de nós quer uma Grécia e caso o CDS tivesse saído ia ser complicado.

Quais foram as maiores mudanças no país desde que entrou na política?

C.A.: O que se tentou nestes últimos 4 anos foi um arrumar da casa. Foi a maior mudança para mim. Houve também uma mudança de mentalidades em todas as gerações, nas mais jovens e até mesmo na dos nossos pais. Nós não éramos um povo que fizéssemos muitas perguntas e, agora, acho que já há essa preocupação, houve uma mudança social e, também, de comportamento. Todos levamos uma grande lição destes tempos de crise.

Quais foram os momentos mais marcantes na sua vida política?

C.A.: Ter sido eleita autarca, em Sintra, e ter ganho o primeiro congresso distrital. O ser eleita autarca foi o reconhecimento pelo meu trabalho e o ser convidada a integrar as listas, em 2009, foi sem dúvida muito importante. Perdi muitas horas de sono mas sinto me completamente recompensada com conquistas que tenho feito.

Já pensou em desistir?

C.A.: Sim, já pensei em desistir porque é desgastante. É difícil conciliar a vida pessoal com a vida política porque nem toda gente percebe porque é que eu tenho todos os dias alguma coisa para fazer, sem receber nada em troca. Mas compensa o esforço.

O que é para si a política neste momento?

C.A.: A política é um bocadinho uma escola de vida. Nós aprendemos a ligar com as pessoas naquilo que são as suas ambições e anseios. A parte do gerir pessoas, gerir conflitos, gerir ambições, gerir projectos, torna-se complicado e por isso há sempre pessoas a afastarem-se ou mesmo a ficarem mais próximas. Tenho de saber lidar com muita coisa ao mesmo tempo.